O custo invisível das faltas

O absenteísmo no setor de saúde brasileiro não é novo. O que os dados de 2024 e 2025 revelam é onde o problema está sendo resolvido, e onde não está.


O número que o setor normalizou

O absenteísmo na saúde brasileira é estimado em cerca de 25% tanto em consultas quanto em exames pelo SUS. No setor privado, a média oscila entre 20% e 30%, podendo chegar a 32% em algumas unidades. As redes municipais de saúde do ABC registraram 23,22% de média no primeiro trimestre de 2025, uma alta de quase 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

São números que o setor conhece há anos. A questão é o que foi feito com eles.

Em muitas operações, o absenteísmo foi incorporado ao modelo como variável inevitável. A agenda é superdimensionada para compensar a previsão de faltas. O resultado é uma gestão reativa que administra a consequência do problema em vez de atuar sobre as causas.


O que está por trás de cada falta

A principal causa apontada por especialistas para o não comparecimento não é descaso do paciente. É o longo intervalo entre o agendamento e a consulta. Quando uma especialidade tem espera de três a oito semanas, a urgência que motivou o agendamento pode ter passado, o paciente pode ter procurado outra alternativa ou simplesmente desengajado do processo.

Esse intervalo é uma janela de comunicação que a maioria das clínicas não ocupa.

O que acontece entre o dia do agendamento e o dia da consulta define, em boa parte, se o paciente vai aparecer. Quando esse intervalo é preenchido apenas por um lembrete na véspera, a intervenção chega tarde. A decisão de não ir já estava sendo tomada silenciosamente dias antes.


O que diferencia quem reduziu o problema

O dado de que 78% das clínicas usam WhatsApp para confirmação automática mostra que o canal já é consenso. O que ainda diferencia quem tem resultado de quem apenas tem processo é o que está por trás do canal.

Uma confirmação integrada ao sistema de agendamento atualiza o status em tempo real, elimina o retrabalho de confirmação manual e permite que a equipe aja sobre dado, não sobre suposição. Uma confirmação desintegrada é uma notificação. Uma integrada é gestão.

Clínicas que reduziram o absenteísmo de forma sustentada não apenas adotaram o canal certo. Redesenharam o fluxo de comunicação com o paciente ao longo de todo o período pré-atendimento.


O custo do absenteísmo não aparece em uma linha específica do relatório. Ele está distribuído: em horas de equipe ociosa, em vagas que poderiam ter sido realocadas, em atendimentos que não aconteceram porque o horário ficou vazio sem aviso.

O primeiro passo para gerenciar esse custo é parar de tratá-lo como inevitável.

A Wellon opera com mais de 800 unidades de saúde no Brasil e mantém taxa média de 80% de confirmação de consultas porque trabalha a comunicação com o paciente como processo, não como notificação.


Fonte: Medscape e Ministério da Saúde. Reporter Diário, maio 2025. Panorama das Clínicas e Hospitais 2024, Doctoralia e Feegow. Fácil Consulta, 2026.

Leia também